Olha a Língua!

   Falar e escrever corretamente é uma arte! Precisamos estar em dia com os detalhes para não dar um escorregão ou tropeçar em algum termo mal-empregado.
   As dicas encontradas aqui têm sido publicadas mensalmente no periódico Folha Carioca, que circula nos bairros da zona sul do Rio de Janeiro.
   Se tiver alguma dica, envie para nós! E fique de olho na Língua para não cometer mais estes enganos!

Alguns verbos que causam dúvidas!
O nome das coisas
Crase, o retorno...
A crase nas férias
Fim de ano
Grama, meio e menos
Eu e mim
Outras expressões...
Algumas expressões...
Este, esse, aquele
Os porquês
Onde ou aonde?
Uso do particípio




Alguns verbos que causam dúvidas! (por Carmen Pimentel)

Alguns verbos trazem dificuldades ao nosso dia-a-dia. Você certamente já ficou na dúvida ao falar ou ao escrever uma frase com os verbos pôr, ver e vir!

A conjugação deles, em certos tempos e modos, às vezes é bem confusa. O certo é "Quando eu pôr" ou "Quando eu puser"?; "Se você ver Maria" ou "Se você vir Maria"?; "Se eu vir ao cinema" ou "Se eu vier ao cinema"?

O tempo verbal que usamos com "quando" ou "se" é o futuro do subjuntivo e indica possibilidade futura. Geralmente vem acompanhado de outro verbo no futuro do presente do indicativo:
"Se eu trabalhar mais, conseguirei viajar para a Europa";
"Quando ganharmos na loteria, compraremos uma casa própria".

Esse tempo verbal é formado a partir de outro tempo denominado pretérito perfeito do indicativo, que indica ação ocorrida no passado:
"Ontem falei com o João sobre as comemorações de Machado de Assis *".

A terceira pessoa do plural (eles) desse tempo termina com "ram":
"Ontem eles falaram...".
Se retirarmos as duas últimas letras dessa desinência ("a" e "m"), formaremos a base para o futuro do subjuntivo = falar. Assim, a frase no futuro do subjuntivo fica "Quando eu falar...".

Voltando aos verbos pôr, ver e vir, teremos:
Eles puseram > Quando eu puser
Eles vieram > Quando eu vier
Eles viram > Quando eu vir

Outra dificuldade é quando os verbos se apresentam iguais: vir e vimos.

"Vir" tanto pode ser o infinitivo do verbo vir quanto o futuro do subjuntivo do verbo ver: "Se você o vir (verbo ver), diga-lhe para vir (verbo vir) até aqui. O mesmo acontece com outras pessoas: "Se vocês os virem, digam-lhes para virem até aqui".

"Vimos" tanto pode ser a primeira pessoa do plural do presente do indicativo do verbo vir quanto a primeira pessoa do plural do pretérito perfeito do indicativo do verbo ver: "Nós vimos (verbo vir) aqui agora porque ontem nós vimos (verbo ver) o que aconteceu com você".

Mais uma informação, quanto à escrita, os verbos ver e vir:
Ele vem / Eles vêm (verbo vir)
Ele vê / Eles vêem (verbo ver)

* Este ano comemoramos 100 anos de morte de Machado de Assis. Aproveite para conhecer o autor e sua obra!

Espero ter ajudado!
Um abraço e até a próxima!

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O nome das coisas (por Carmen Pimentel)

Quebrei a perna! Enquanto estou em meu exílio forçado, fiquei pensando a respeito do nome das coisas. O osso que quebrei chama-se FÍBULA. Mas não foi sempre assim...

No meu tempo de escola, a fíbula chamava-se PERÔNIO. Para conseguir decorar esses nomes, a gente criava historinhas. Na perna temos dois ossos: a TÍBIA e o PERÔNIO. "Eles formam um belo casal. Tíbia é uma mulher despojada, decidida e muito, muito forte. Por isso anda sempre na frente. Tem um apelido: canela. Seu marido, o Perônio, é mais recolhido, tímido e vive na sombra de Tíbia. Eles têm uma filha, bonitinha e rechonchuda, de cara redonda - a RÓTULA."

Mas a história hoje se perdeu. Perônio mudou de nome! Hoje se chama FÍBULA. A Rótula também deixou de ser rótula para ser PATELA. O fato é que esses nomes são todos muito esquisitos.
Fíbula vem do latim e significa, de acordo com o dicionário Houaiss, alfinete, pequena fivela ou "qualquer ponta que é travada em um objeto para segurá-lo". Além de osso da perna, claro. Já Perônio vem do grego, mas tem o mesmo significado: "qualquer ponta que atravessa um objeto: cravelha; cavilha; gancho". A semelhança de sentidos corresponde à posição do osso na perna. Ele parece mesmo estar segurando a Tíbia, o joelho e o pé. Portanto, me parece, foi apenas uma questão de substituir um vocábulo de origem grega por outro de origem latina, já que Tíbia também é de origem latina (que a propósito, também significa "flauta").
Rótula também tem origem latina e significa justamente "rodinha", assim como Patela, vocábulo também utilizado para denominar "pequeno prato usado em sacrifícios". Mas isso devia ser lá na época do Império Romano, espero!

................

Recebi um e-mail de uma leitora e transcrevo-o, em parte, aqui. Sua dúvida é sobre a palavra "óculos":
Seria "Meus óculos " ou "Meu óculo"?
Pois levando em consideração a definição de óculo no link (http://www.priberam.pt/dlpo/definir_resultados.aspx) a palavra óculo é:
instrumento com lentes para auxiliar a vista;
abertura circular, nas paredes, para entrar a luz e o ar;
abertura nas portinholas dos navios de guerra, pela qual passam os canos das peças.
Assim sendo quando me referir ao óculo que uso, faço assim, no singular. CORRETO?


Minha resposta foi a seguinte:
No caso dos óculos que usamos para correção da visão ou para protegermo-nos do sol, é sempre no plural. O uso no singular é incorreto.
Assim, diga sempre "Onde estão meus óculos"; "Comprei óculos novos"; "Os óculos de Maria são lindos!"

Antigamente (muito antigamente) as pessoas usavam uma única lente que era colocada próxima ao olho para corrigir a visão. Naquele caso, seria um óculo (ou monóculo). Hoje em dia ninguém usa mais isso. Se os seus óculos possuem duas lentes, então o uso correto é o plural.

A definição do dicionário Houaiss para óculos é "dispositivo usado para auxiliar, corrigir ou proteger a visão, que consiste em um par de lentes sustentadas em frente dos olhos por uma armação; lunetas". Portanto o contexto da palavra é sempre plural!


Até a próxima!

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Crase, o retorno... (por Carmen Pimentel)

Já vimos anteriormente que só ocorre crase diante de palavras femininas. Portanto...

O sol estava a pino. (Sem crase, pois pino não é palavra feminina).
Ela recorreu a mim. (Sem crase, pois mim não é palavra feminina).
Estou disposto a ajudar você. (Sem crase, pois ajudar não é palavra feminina).
Também não ocorre crase se o A estiver no singular, e a palavra seguinte, no plural - seja ela feminina ou masculina. Por quê? Porque não há artigo diante de tal palavra, senão o A estaria no plural.

Referi-me a todas as alunas, sem exceção.
Não gosto de ir a festas desacompanhado.

Uma outra situação em que a crase não acontece é entre duas palavras repetidas.

Fiquei cara a cara com o ladrão.
Gota a gota, a torneira pingava o dia inteiro.
Quando vocês estiverem frente a frente, poderão resolver as desavenças.

Existem casos em que ela é facultativa! Usa quem quer, quem gosta. Bom isso, não é? Se o A vier antes de pronome possessivo (minha, tua, sua, nossa etc.), antes de nome próprio de pessoa feminino ou acompanhando a preposição ATÉ, você pode escolher: usar ou não a crase.

Abraços à Diana ou Abraços a Diana.
Dirigi-me à sua mãe ou Dirige-me a sua mãe.
Fui até à recepção do hotel ou Fui até a recepção do hotel.

Com isso, sobram poucos casos de uso obrigatório da crase:
a) com a palavra CASA: só se ela estiver especificada. Cheguei à casa de Rodrigo a tempo de ver a novela. Mas Cheguei a casa antes de todos.
b) com a palavra TERRA acontece a mesma coisa: Em janeiro, irei à terra de meus avós. Se o assunto for o planeta Terra, também acontece a crase: Os astronautas voltaram à Terra a salvo. Mas Os marinheiros voltaram a terra depois de vários dias no mar.
c) com a palavra DISTÂNCIA só vai ocorrer crase se houver a formação da expressão "à distância de". Assim O detetive seguia o suspeito à distância de duzentos metros. Mas Fiz um curso a distância.

Por fim, as expressões que denotam tempo, modo, meio e lugar serão craseadas se forem femininas, bem como as expressões de hora determinada:

Paguei o imóvel à vista.
Ele só chegou à noitinha.
Preenchi o cheque à caneta.
Só saí às seis horas.

Aí também se encontram as expressões à moda de ou à maneira de, mesmo que não estejam explícitas na frase:

Comi bife à milanesa e espaguete à bolonhesa. (à moda de Milão e à moda de Bolonha)
Carlos cortou o cabelo à Príncipe Valente. (à maneira do tal príncipe. Tem gosto pra tudo!)

Por enquanto é só!
Deixo para o mês que vem mais um ou dois casos de ocorrência de crase, esperando que tenha esclarecido o "fenômeno assustador"...

Até lá!

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A crase nas férias! (por Carmen Pimentel)

Estar de férias é uma boa oportunidade para ir a lugares diferentes, sem preocupação com horários de trabalho ou compromissos do dia-a-dia. Nesta "triste" rotina de ir à praia, ir ao cinema, ir ao teatro, ir à casa de amigos ou à festa de alguém, lembrei-me do uso da CRASE!

O verbo IR exige a preposição A, por isso, mais atenção ao seu uso! Se o complemento (lugar a que se vai) for feminino, teremos crase.
Ex.: Vou à praia; As crianças vão à colônia de férias; Vamos às cidades litorâneas.

Entretanto, como existe muita dúvida, o que faz o falante na conversa diária? Substitui a preposição A pela preposição EM: Vou na praia, depois vou no cinema. De acordo com a norma padrão da língua portuguesa, esse uso é inadequado. Então, como saber quando usar o acento da crase?

A crase é um fenômeno da língua que consiste na fusão de duas vogais idênticas, no caso dois "As".
Analisemos a frase "Vou à praia". O verbo IR pede a preposição A, a palavra praia pede o artigo feminino A. Ao escrever a frase utilizando os dois "As", sairia alguma coisa assim: Vou aa praia. Acontece que isso não existe em nossa língua, daí ocorrer o fenômeno da fusão dos "As" representado por À. Para esclarecer: se o complemento do verbo IR fosse uma palavra masculina, o que aconteceria? "Vou ao cinema". Temos aí a preposição A ligada ao artigo masculino O, formando AO. Isso pode!

Assim, temos uma dica para o uso da crase: para saber se ela existe em determinada frase, substitui-se a palavra feminina por uma equivalente masculina. Se surgir AO, é porque existe AA, logo, crase no A.
Ex.: Neste fim de semana, vou à exposição do Fulano. (substituindo: Vou ao lançamento do livro de Fulano).

Outra dúvida em relação ao verbo IR acontece com nomes próprios de lugares.
Ex.: Vou à Bahia ou Vou a Bahia? Vou à Paris ou Vou a Paris?
Alguns nomes de lugares aceitam o uso do artigo, outros não. Como saber, então, se Bahia pede ou não o artigo? A dica é substituir o verbo IR pelo verbo VIR.
Ex.: Venho da Bahia. (surgiu DA, que é a contração da preposição DE com o artigo feminino A, o que significa que Bahia pede o uso do artigo A). Logo, "Vou à Bahia" é a opção correta.
Vou a Paris não leva crase, pois quando venho, venho de Paris (sem artigo e, diga-se de passagem, sem dinheiro também!)

Fica o versinho ensinado na escola:
"Se quando venho, venho DA,
Quando vou, crase no A.
Se quando venho, venho DE,
Quando vou crase pra quê?"

Até a próxima, com mais dicas do uso da crase!

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Fim de ano (por Carmen Pimentel)

Chegamos ao final do ano! Parece que o tempo anda mais rápido ultimamente...

Para encerrar 2007, não vou dar nenhuma dica de português, mas algumas dicas de leitura. Afinal o melhor caminho para a boa escrita é a leitura!

Entre caçadores de pipas e livreiros de Cabul, os últimos tempos guiaram o foco da leitura para aquela região ainda tão enigmática para nós - o Afeganistão. Mas em 2008, que tal conquistar outros territórios literários?

Enquanto o acordo ortográfico da língua portuguesa não sai, fiquemos com a valorização da nossa língua, por isso escolhi autores de países lusófonos: brasileiro, português, angolano, moçambicano. Ler, além de nos colocar em contato direto com a língua, possui um quê de viagem, de magia, de sedução. E como não é qualquer livro que representa o objeto mágico, aqui vão minhas sugestões:

Machado de Assis - por representar mundialmente a literatura brasileira e por ter captado tão bem a essência da alma humana, merece ser reconquistado. Sua obra é vastíssima: romances, contos, crônicas, poesias e até teatro. Para os leitores iniciantes, sugiro os contos e as crônicas; para os mais devotos, os romances; para os curiosos, as peças teatrais. "Esaú e Jacó", "A cartomante e outros contos", "Machado de Assis: trinta crônicas irreverentes", "Machado de Assis - volumes 1 e 2 - Teatro", "Machado de Assis - coleção melhores poemas". Alguns contos foram editados para o jovem leitor, como "Conto de escola", "Pai contra mãe" e "Cinco Histórias do Bruxo do Cosme Velho". Outros foram adaptados para quadrinhos: "A causa secreta" e "O enfermeiro". Enfim, há histórias para todos os gostos, o que não pode é deixar de conhecer o autor!

Mia Couto - autor moçambicano, tem recebido diversos prêmios por sua obra. "O outro pé da sereia" mistura lirismo, magia e bom humor para retratar a Moçambique do século XXI. E, para os jovens leitores, "O beijo da palavrinha", livro de contos da cultura africana. Sua maneira de escrever e de contar histórias é deliciosamente envolvente.

José Saramago - este é português legítimo! Com inúmeros livros publicados no Brasil e Prêmio Nobel de Literatura em 1998, Saramago nos transporta para o mundo do fantástico. O meu preferido é "Memorial do Convento", que retrata com maestria a construção do Convento de Mafra, no século XVIII, numa ficção quase real! "O conto da ilha desconhecida" é uma fábula sobre o sonho realizado, tanto para adultos como para jovens. Descobrir José Saramago é uma aventura sem volta!

José Eduardo Agualusa - angolano de pai português e mãe brasileira! Ganhou prêmio com o romance "O vendedor de passados", história genial de um criador de árvores genealógicas para pessoas que desejam ter um passado mais importante. Outro livro que também vale a pena é "Manual prático de levitação", de contos que narram situações inusitadas ou absurdas passadas em Angola, no Brasil e em outros lugares pelos quais o autor já andou. Com sutileza e perspicácia, Agualusa nos envolve em sua magia e nos convida para mais leituras.

Em 2008, comemoramos os 200 anos da vinda da Família Real para o Brasil. Termino, então, minha lista de sugestões com o livro "Era no tempo do rei", de Ruy Castro. Saindo do forno, a história é fictícia, mas acontece numa época e num tempo reais da História do Brasil. Dois meninos de 12 anos, o príncipe Pedro, filho de Dom João VI, e Leonardo, personagem do livro "Memórias de um sargento de milícias", de Manuel Antônio de Almeida, encontram-se para viver suas aventuras, tendo como pano de fundo, a época da Corte no Brasil. Como Ruy Castro é biógrafo, escritor e jornalista, a base documental de seu romance promete revelar muitos fatos da nossa História.

Para as crianças e adolescentes, sugiro dar uma olhada na lista de livros publicada pelo jornal Folha de São Paulo (Folhinha - 14/4/07). Dezessete especialistas em literatura indicaram obras que não podem faltar na sua biblioteca e que todos deveriam ler antes de virar adulto! Confira!

Mais sugestões? Escreva para mim!

Boas leituras! Boas festas! Até 2008!

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Grama, meio e menos (por Carmen Pimentel)

Parece piada, mas foi verdade!
Outro dia fui à padaria comprar algumas coisinhas para o lanche. Até aí, tudo bem. Esta história começa mesmo na hora de pedir a muçarela (ou mozarela, ok?) fatiada:
- Por favor, moço, eu queria duzentos gramas de muçarela.
- DUZENTAS gramas de muçarela?
Ele perguntou assim, desse jeitinho, enfatizando o "duzentas". Fiquei surpresa com a forma tão segura de o atendente me corrigir que achei melhor concordar. Afinal ele é o especialista em muçarela fatiada...
Comentei o fato com alguns amigos, e (surpresa!) vários já haviam passado pela mesma situação. Um deles disse que ainda tentou explicar para o atendente o porquê de usar o numeral no masculino, mas não deu certo: a fila reclamou.

O fato é que existem algumas palavras que deixam o falante menos escolarizado na dúvida, levando à generalização e, conseqüentemente, ao erro. E, como cada vez mais escutamos essas palavrinhas por aí, vale a pena saber para evitar cair em tentação! Grama, meio e menos são algumas delas. Vamos lá, então:

GRAMA: pode ser palavra feminina ou masculina. Por terminar em a, muita gente acredita que a palavra seja somente feminina, e acaba usando erradamente, como no episódio acima. Grama, no feminino, é um tipo de erva da família das gramíneas que, espontaneamente ou cultivada, serve para criar gramados em jardins e parques. Está lá, no dicionário! Já no masculino, grama significa "unidade de medida de massa equivalente a 0,001 kg", também de acordo com o dicionário. Logo, na hora de comprar qualquer coisa a peso, faça a concordância no masculino. Mas não precisa entrar em conflito com o vendedor e acabar perdendo o desconto! Se ele preferir vender no feminino, tudo bem!

MEIO: quem já escutou alguma Fulana dizer que está "meia cansada"? Todo mundo, claro! Assim, vejamos: a palavra meio pode ser:
1- numeral, significando "metade". Nesse caso, vai ser masculina ou feminina, dependendo da palavra que está acompanhando. Por exemplo: "Comi meia maçã no lanche" (metade da maçã); "Não gosto de meias palavras" (palavras pela metade, metaforicamente...); "Só li meia página da revista" (metade da página);
2- advérbio, significando "um pouco", "mais ou menos". Sempre no masculino. É aqui que as pessoas se confundem! Veja os exemplos: "Maria anda meio tristonha ultimamente" (um pouco tristonha e, não, metade tristonha!); "Hoje ela acordou meio desanimada" (um pouco desanimada). Então, a nossa Fulana deveria dizer "Estou meio cansada", certo?

Atenção: para pronunciar as horas quando o relógio marca 12h30min, diga "É meio-dia e meia". Por quê? Porque é metade do dia mais metade da hora.

Por fim, MENOS: esta é sempre assim, no masculino. Não importa em que situação! Menos é menos, e pronto! Se escutar por aí "Tenho menas confiança nele", "Comprei menas coisas", pode brigar, porque dói mesmo no ouvido!

Não contei como terminou o diálogo com o atendente da padaria:
- A senhora hoje vai levar menas muçarela, é?
Ninguém merece...

Até a próxima!

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Eu e mim (por Carmen Pimentel)

"Eu sei que agora
Eu vou é cuidar mais de mim!" (Saúde - Rita Lee / Roberto de Carvalho)


O uso de eu e de mim ainda é um problema na vida de muita gente. Quando usar eu? Quando usar mim? De modo geral, a maioria se sai bem na escolha; mas, às vezes, aparecem situações que causam dúvida. Pois bem, qual é a opção correta:

Era para eu comprar a revista ou Era para mim comprar a revista???

A norma diz que o pronome que representa sujeito é o pronome pessoal reto (eu, tu, ele...). Os pronomes pessoais oblíquos (me, mim, te, ti, lhe ...) são usados para completar o sentido do verbo, ou seja, usados como objetos. Se o pronome oblíquo for tônico, ele vem acompanhado de preposição (para mim, de mim, por mim...). O que acontece, então, na frase em questão?

Os pronomes (eu/mim) vêm depois de uma preposição - para. No entanto, eles também vêm antes de um verbo, o que nos faz pensar na possibilidade de eles serem o sujeito de tal verbo. Como solucionar o problema? Precisamos saber quem é que deveria comprar a revista. A resposta é, sem dúvida, eu. Portanto o pronome é sujeito do verbo comprar, e a opção correta é pelo pronome reto eu: Era para eu comprar a revista.

Outros exemplos: Não comecem a reunião sem eu chegar. / Ele comprou o livro para eu ler. (eu é sujeito de chegar e de ler)
Entretanto... Não comecem a reunião sem mim. / Ele comprou o livro para mim. (aqui, mim é o complemento dos verbos começar e comprar, que também exigem o uso da preposição).

Agora observe a seguinte frase:
É fundamental para mim entender a situação.

Pronto! Complicou? Nem tanto...
Aqui, mim não é o sujeito de entender, mas sim o complemento de É fundamental. Tanto que o problema se resolveria se acrescentássemos vírgulas para isolar a expressão para mim, ou se mudássemos a ordem dos elementos na frase:

É fundamental, para mim, entender a situação.
Para mim, é fundamental entender a situação.
Entender a situação é fundamental para mim.


A estrutura desta frase não é a mesma da frase anterior. Aquela não permite essa livre alteração da ordem de seus termos. Dizer "Comprar a revista era para eu" não tem sentido algum na Língua Portuguesa! Muito menos "Era para mim comprar a revista".

Fiquemos, então, com os ensinamentos de minha mãe: "Mim não faz nada, quem faz sou eu!"

Voltando ao trechinho da letra da música Saúde, de Rita Lee e Roberto de Carvalho, fica fácil perceber o uso do pronome reto (eu) como sujeito e do pronome oblíquo (mim) como complemento verbal, acompanhado de preposição: Eu vou é cuidar mais de mim. Difícil mesmo é entender a letra desta outra música dos mesmos compositores:

Eu e Mim
Rita Lee / Roberto de Carvalho
"No espelho não é eu, sou mim.
Não conheço mim, mas sei quem é eu, sei sim.
Eu é cara-metade, mim sou inteira.
Quando mim nasceu, eu chorou, chorou.
Eu e mim se dividem numa só certeza.
Alguém dentro de mim é mais eu do que eu mesma.

Eu amo mim
Mim ama eu"


Um abraço e até a próxima!

Não esqueçam de escrever para mim...

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Outras expressões... (por Carmen Pimentel)

Uma leitora da Folha da Gávea Leblon escreveu sugerindo mais um par de expressões que geram grande confusão para quem faz uso correto delas. Costumo explicar para meus alunos que entre falar uma língua e escrever nessa mesma língua existe uma diferença e tanto. Isso não é um fenômeno exclusivo da Língua Portuguesa, como muitos acreditam. Não! É um fenômeno mundial: toda língua apresenta variações entre a fala e a escrita e, por isso mesmo, cria tanta expectativa em seu falante-escritor. Como falar é um ato muito mais corriqueiro do que escrever, é natural que surjam dúvidas ao transpor para o papel o que se gostaria de dizer. Na fala, recorremos a gestos, repetições e outros recursos que dão suporte ao que queremos transmitir. Na escrita, o uso do bom Português é que vai garantir a comunicação exata das idéias.

As expressões sugeridas pela leitora são "ao encontro de" e "de encontro a". Essas expressões, tão parecidas na sua estrutura, exprimem idéias completamente opostas! Observe:

Ao encontro de indica "ser favorável a", "ter posição convergente" ou "aproximar-se de". Transmite idéia de favorecimento ou, ainda, de encontrar alguém. Veja os exemplos:
  • Que bom! Suas idéias vêm ao encontro das minhas! Podemos continuar com nossos planos.
  • Marquei com João no bar para, dali, irmos ao encontro de Maria.

    de encontro a indica "ser contra a", "em prejuízo de", transmitindo idéia de oposição, contrariedade, além das idéias de choque, colisão.
  • Infelizmente seu projeto vai de encontro aos interesses da empresa.
  • O ônibus desgovernou-se e foi de encontro ao poste.

    Saber o significado de cada uma delas é importante para entender o enunciado elaborado por alguém. Analisemos as seguintes frases:
  • A construção do novo shopping vai de encontro ao desejo dos moradores do bairro.
  • A construção do novo shopping vai ao encontro do desejo dos moradores do bairro.


    As frases são bastante parecidas e só o entendimento das expressões consegue fazer a distinção de significados entre elas. Na primeira, o autor da frase expressa contrariedade: os moradores não são a favor da construção do shopping. Na segunda, a idéia é de favorecimento: os moradores desejam a construção do shopping. É preciso ter conhecimento lingüístico para desvendar as verdadeiras intenções do produtor de tais frases!

    Espero que essas dicas tenham ido ao encontro de seu interesse!

    Continuo recebendo sugestões!
    Até a próxima!

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    Algumas expressões... (por Carmen Pimentel)

    Volta e meia me perguntam sobre o significado de expressões parecidas que causam dúvida na utilização. Outro dia foi a vez de eu ter que explicar a diferença entre "a princípio" e "em princípio". Decidi escrever sobre alguns pares de expressões que vez ou outra nos assombram!

    1- A princípio e em princípio
    O termo 'princípio' se refere tanto a "origem, começo, estréia" quanto a "convicção, modo de ver, opinião que se admite como ponto de partida", além de "preceito moral, regra, lei", entre outras acepções. Com as preposições a e em forma locuções distintas, veja só:

    - a princípio: à primeira vista, logo a princípio, inicialmente, primeiramente, de início, de entrada, no começo, de começo (ou ainda: "de cara").
       
  • Pensamos, a princípio, que se tratava de um pássaro exótico, mas depois constatamos que era simplesmente uma espécie mais colorida de periquito.    
  • A princípio eu não sabia de nada, mas um dia ela me contou tudo.

    - em princípio: em tese, em teoria, teoricamente, em termos, de modo geral; conforme o dicionário Houaiss: "antes de qualquer consideração"; "sem entrar em casos concretos e particulares".
       
  • Vai ao show do Skank este fim de semana? - Em princípio, vou; mas dependo da confirmação de uma carona.    
  • Em princípio não estamos interessados em nos mudar daqui.

    2- Mais bem e melhor
    Melhor, além de ser a forma comparativa de superioridade do adjetivo bom (mais bom = melhor), serve também como comparativo de superioridade do advérbio bem ("ele canta melhor que o irmão"). Em frases como essas, seria inaceitável usar a forma analítica mais bem; a substituição por melhor é obrigatória.

    Antes de particípios, contudo, é a forma analítica a preferível: "Esta é a revista mais bem diagramada que já li". Esse é o uso culto, tradicional, da língua. Pode ser substituído pela forma sintética: "revista melhor diagramada" - embora doa aos ouvidos mais bem preparados...

    3- Em vez de e ao invés de
    A expressão "em vez de" pode ser usada sem qualquer constrangimento em qualquer situação. Bom, não é? Já "ao invés de", somente em uma possibilidade:

    - em vez de: significa "em lugar de", "em substituição a", "ao contrário de" dando idéia tanto de oposição como de substituição.
       
  • Em vez de nos ajudar, atrapalhou ainda mais a nossa situação.    
  • Em vez de ir ao cinema, vamos ao teatro?

    - ao invés de: corresponde somente à idéia de oposição, com valor de "ao contrário de", "ao inverso de".
       
  • Ao invés de baixar, o preço do gás combustível subiu.    
  • Chorou ao invés de rir.

    Lembrou de outras? Escreva para mim!
    Um abraço e até a próxima!

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    Este, esse, aquele (por Carmen Pimentel)

    Sabe usar essas palavras sem ficar na dúvida? Parabéns! Não sabe? Aqui está a sua chance de aprender e nunca mais se confundir! Vamos lá?

    Os pronomes demonstrativos este, esse e aquele (junto com suas variações de feminino e plural) indicam a posição e a identificação de um elemento no espaço, no tempo e no texto.

    Assim, vejamos:
    1) este(s), esta(s), isto

  • No espaço - indicam o que está perto de quem fala.
    Ex.: Esta revista que tenho nas mãos traz artigos muito interessantes!

  • No tempo - indicam um tempo presente, atual.
    Ex.: Esta é uma época de profundas transformações políticas.

  • No texto - referem-se ao que vai ser mencionado à frente.
    Ex.: Minha opinião é esta: devemos ler mais para ficarmos bem informados.

    2) esse(s), essa(s), isso

  • No espaço - indicam o que está perto de quem ouve.
    Ex.: Essa revista que está com você é a Folha da Gávea?

  • No tempo - indicam um futuro ou um passado não muito distante do tempo atual.
    Ex.: O jogo acontecerá nesse domingo à tarde.

  • No texto - referem-se a algo que foi mencionado anteriormente.
    Ex.: Boa vontade e dedicação: ela nos pediu só isso.

    3) aquele(s), aquela(s), aquilo

  • No espaço - indicam o que está longe de quem fala e de quem ouve.
    Ex.: O que é aquilo lá no fim da rua?

  • No tempo - indicam um tempo remoto, distante.
    Ex.: Mudei-me para cá há vinte anos. Naquela época, aqui não havia nem escola, nem hospital, nem estrada asfaltada.

  • No texto - são usados em conjunto com este(s), esta(s), isto, para fazer referência a algo já citado. Aquele refere-se ao primeiro elemento citado; este refere-se ao último elemento citado.
    Ex.: Fluminense e Grêmio são dois importantes times brasileiros. Este é gaúcho e aquele é carioca.

    Até que não é tão complicado assim, não é mesmo? Muitas pessoas, porque ficam na dúvida, usam esse e este sem nenhum critério. Na verdade, o esse domina a maioria das escolhas. De agora em diante, não caia mais na mesmice e utilize os pronomes demonstrativos corretamente!
    Um abraço e até a próxima!

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    Os porquês (por Carmen Pimentel)

    "Só eu sei as esquinas por que passei..."
    Escutando a música de Djavan, lembrei-me de como esta palavrinha assombra tanta gente!

    Saber usar os porquês é realmente uma arte! Em algumas línguas fica muito fácil, já que existe uma palavra para a pergunta e outra totalmente diferente para a resposta. Por exemplo, em francês é "pourquoi" para a pergunta e "parce que" para a resposta; em inglês é "why" na pergunta e "because" na resposta. Já em português... é "por que" para a pergunta e "porque" para a resposta. A diferença é apenas de um espaço entre o "por" e o "que". Isso quando se trata da escrita, porque na fala não há diferença alguma! E se o porquê vier no meio da frase, então, piorou... É junto? É separado? Tem acento?

    Mas nada é tão difícil que não se possa desvendar... Vamos a eles!

    O primeiro já usei na introdução aí acima. É o porquê (junto e com acento). Reparou que ele vem precedido de um artigo (o)? Pois é, se tem artigo ou pronome, então é substantivo.
    PORQUÊ - tem função de substantivo. Costuma aparecer junto a um artigo ou a um pronome e pode ser substituído por outro substantivo: razão, motivo. Ex.: Não sei o porquê de tanto barulho!

    O segundo é aquele que todo mundo conhece:
    POR QUE - pronome interrogativo usado no início de frases interrogativas diretas.
    Ex.: "Por que parou?" "Por que você só chegou agora?"
    Observe que, nas interrogativas indiretas, este porquê tem valor de "por qual razão", "por qual motivo": "Não sei por que tanta gente gosta desta música". (por qual motivo tanta gente gosta...). "Não sei por que você parou." (por qual razão você parou).

    Mas quando vem no final da pergunta, seja ela direta ou indireta, ganha um acento:
    POR QUÊ - "Parou por quê?" "Parou, mas não entendi por quê."

    Outro uso de POR QUE (separado e sem acento) acontece no meio da frase. Nesse caso temos uma preposição (por) + um pronome relativo (que), e pode ser substituído por "pelo qual": "Música é um assunto por que muito me interesso" (pelo qual muito me interesso). Naquele trechinho da música de Djavan, no início de nossa conversa, há um caso de POR QUE: "Só eu sei as esquinas por que passei..." (pelas quais passei).

    Por fim, o PORQUE - usado para introduzir uma oração cujo significado seja causa, explicação, uma justificativa, enfim. "Só irei ao cinema porque você me convidou." "Gosto de ler porque me dá prazer!". Este também é o porquê usado no início das respostas. "Por que parou? Porque o show terminou."

    Muito bem! Agora está mais claro, não?
    Então, até a próxima!

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    Onde ou aonde? (por Carmen Pimentel)

    Dúvida recorrente para muita gente: onde ou aonde? Emprega-se AONDE com os verbos que dão idéia de movimento (dirigir-se, ir, levar, etc.). Equivale a dizer "PARA ONDE" ou "A QUE LUGAR".
    Aonde você vai?
    Aonde está nos levando?
    Você pretende chegar aonde com esta atitude?

    Logo, com os verbos que não dão idéia de movimento, emprega-se ONDE.
    "Moro onde não mora ninguém" (Agepê e Canário)
    Onde estão meus óculos?
    Não sei onde deixei meu celular...

    Por esses exemplos, podemos perceber que ONDE transmite idéia de lugar (Em que lugar estão meus óculos?).

    No entanto, o maior problema ainda é outro: muita gente boa, hoje em dia, resolveu usar o ONDE sem se preocupar com o seu valor semântico, retomando um termo citado anteriormente sem a tal idéia de lugar. Políticos, jornalistas, esportistas, alunos adotaram o modismo e utilizam o termo indiscriminadamente, causando revoltas aos ouvidos mais cautelosos!

    Estava eu na fila para entrar no barracão da Mangueira, vésperas de Carnaval, muita animação, quando ouvi a seguinte declaração de amor à escola:
    "Estou aqui na Mangueira onde é minha escola preferida!" (sic)

    O que acontece aqui? ONDE retoma o termo "Mangueira". Para o falante, naquele momento, Mangueira era o local em que ele se encontrava. Sendo um local, a palavra escolhida foi justamente aquela que se refere a lugares = ONDE. O que causou, então, a má escolha do mangueirense? O ONDE retomou um termo que parecia exprimir idéia de lugar, mas que, na verdade, não tinha essa função na oração em que ele estava.

    Analisemos! Essa frase possui duas orações:
    "Estou aqui na Mangueira." e "A Mangueira é minha escola preferida."

    Para unir as duas orações e evitar a repetição da palavra Mangueira, o sambista escolheu o pronome relativo ONDE, mas de maneira totalmente equivocada! Na segunda oração, "Mangueira" não dá idéia de lugar, mas de sujeito, do qual se fala algo. Dessa forma, a melhor escolha seria o QUE:
    "Estou aqui na Mangueira que é minha escola preferida!"

    Agora sim! Para usar o ONDE, a frase teria que ser outra:
    "Estou aqui na Mangueira onde ficarei até o sol raiar!" (Ficarei na Mangueira até o sol raiar = idéia de lugar)

    Outros exemplos de uso indevido do ONDE:
    "Fiz uma escolha onde sei que será melhor para mim." (melhor usar QUE)
    "O que se observa são crianças nas ruas trabalhando, onde deveriam estar estudando." (melhor usar QUANDO)

    Percebeu? Então, a partir de agora, tome cuidado ao escolher o ONDE ao construir suas frases para não cometer tal gafe!
    Até a próxima!

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    Particípio (por Carmen Pimentel)

    Impresso ou imprimido? Ganho ou ganhado? Pego ou pegado?

    Você também fica na dúvida? Pois é... é para ficar confuso mesmo! Mas por quê? Por que muitas vezes não sabemos ao certo qual particípio empregar?

    Primeiro uma breve explicação sobre o que vem a ser o particípio:
    Particípio é uma forma nominal dos verbos. Complicou? É que os verbos, muitas vezes, desempenham funções de nomes. No caso do particípio, o verbo geralmente assume a função de adjetivo, além de transmitir a idéia de que o processo verbal chegou ao fim. Por exemplo:
    Maria está cansada. Cansada, aqui, é o particípio do verbo cansar com função de adjetivo. Repare que, inclusive, cansada concorda com o nome Maria e ficando no feminino! Justamente porque tem a função de caracterizar Maria, é um adjetivo.

    Voltando a nossa pergunta inicial, alguns verbos apresentam duas formas de particípio: uma regular (com a terminação -do); outra irregular, proveniente do latim ou de nome que passou a ser aplicado como verbo. Como saber, então, qual delas escolher na hora de elaborar uma frase? Simples!

    As formas regulares são, geralmente, acompanhadas pelos verbos auxiliares ter ou haver. Já as formas irregulares, pelos auxiliares ser ou estar. Observe os exemplos:
    Preparei várias cópias do discurso. Elas foram impressas na minha impressora e por mim!
    Eu tinha imprimido várias cópias do discurso, mas esqueci todas em casa!

    João havia ganhado na loteria um prêmio e tanto! Mas não soube o que fazer com o dinheiro...
    O prêmio da loteria fora ganho por um tal de João!

    Pego e pegado também são usados normalmente, de acordo com os auxiliares que os acompanham:
    Eu tenho pegado o ônibus sempre no mesmo horário.
    O ladrão foi pego com a mão na massa!

    Mas atenção! Nem tudo são flores no reino da Língua Portuguesa! Existem alguns particípios que não são aceitos (olha ele aí!) pela norma padrão da língua: o verbo chegar só apresenta a forma chegado. Nada de dizer por aí "Ela tinha chego".

    As gramáticas costumam trazer uma listinha dos verbos que apresentam dois particípios. Eles são chamados de verbos abundantes. Vale a pena conferir!

    Até a próxima!

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    Carmen Pimentel é doutoranda em Língua Portuguesa pela UERJ.

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